O gasto de energia, sozinho, não diz se a IA local custa menos que uma assinatura. Para comparar as opções, é preciso separar eletricidade, amortização do computador e cobrança por uso da API. As contas disponíveis usam equipamentos e premissas diferentes, então não apontam uma economia universal.
O que a estimativa de energia mede
Em artigo publicado em 4 de novembro de 2026, Abhinav Raj relatou medições com o modelo Qwen3.6-35B-A3B, quantizado em UD-IQ4_XS, num PC com RTX 4070 Ti Super e Ryzen 5 7600X. O consumo combinado de CPU e GPU chegou a 237,5 W durante a leitura de prompts e a 251,9 W durante a geração, que atingiu 85,5 tokens por segundo. O relato de Raj na XDA descreve o teste e as premissas do cálculo.
O modelo ocupava 16,5 GB, mais que os 16 GB de memória da placa de vídeo. Por isso, Raj transferiu parte do processamento de oito camadas para a CPU. Nesse caso, contar apenas a energia da GPU deixaria de fora a parcela de trabalho feita pelo Ryzen.
Raj calculou o custo de geração usando uma tarifa residencial projetada para os Estados Unidos em 2026, de US$ 0,182 por kWh. A conta atribuiu a cada token o pico combinado de consumo, sem descontar períodos ociosos: o resultado foi US$ 0,149 por milhão de tokens gerados. Num cenário separado, com 100 W adicionais para componentes não registrados e perdas da fonte, a estimativa subiu para US$ 0,208 por milhão. São custos de eletricidade calculados para aquela configuração e aquela tarifa; não incluem a compra ou a amortização do computador.
Para saber se a IA local compensa, some a parcela do hardware ao gasto de energia antes de comparar custos por token.
Como a amortização muda a comparação
Um cálculo ilustrativo de Flavio Copes inclui tanto a energia quanto o custo do equipamento. Para gerar 500 mil tokens por dia com um modelo 8B Q4 a 40 tokens por segundo, ele supõe uma RTX 4090 de US$ 1.800, amortizada em 36 meses. A eletricidade estimada é de US$ 8,60 por mês; a parcela mensal do hardware, de US$ 50. O total local fica em US$ 58,60 por mês. Para comparar com APIs, Copes usa tarifas combinadas hipotéticas e um mês de 30 dias, ou 15 milhões de tokens gerados:
| Cenário para 15 milhões de tokens gerados por mês | Custo mensal no exemplo | Premissa |
| IA local | US$ 58,60 | US$ 50 de amortização do hardware e US$ 8,60 de eletricidade |
| API, faixa econômica | US$ 6,00 | US$ 0,40 por milhão de tokens |
| API, faixa intermediária | US$ 30,00 | US$ 2,00 por milhão de tokens |
| API, faixa superior | US$ 150,00 | US$ 10,00 por milhão de tokens |
Nas duas faixas mais baratas, a API custa menos que os US$ 58,60 mensais do cenário local. A conta chega a um prazo de retorno de cerca de 19,7 meses somente ao comparar o hardware com a API de US$ 150 por mês. Mas Copes descreve o modelo local 8B como uma opção de faixa econômica e considera a API de US$ 6 a comparação mais justa para esse modelo; nessa conta, não há retorno financeiro do hardware.
O volume também não garante que a compra se pague dentro da vida útil presumida. Num segundo cenário, com 2 milhões de tokens por dia, o custo local estimado sobe para cerca de US$ 79 por mês, contra US$ 120 mensais na API intermediária. A diferença levaria aproximadamente 44 meses para recuperar os US$ 1.800 do equipamento, acima dos 36 meses usados na amortização. Esses são cálculos baseados nas premissas de Copes, não resultados universais.
API e assinatura mensal são cobranças diferentes
Uma API cobra pelo uso, geralmente conforme os tokens processados; uma assinatura tem preço fixo e limites de uso próprios. A distinção entre esses modelos de cobrança também aparece na explicação de preços de LLMs da AIMultiple. Por isso, uma tarifa de API por milhão de tokens não informa quantos tokens uma assinatura oferece nem quanto trabalho equivalente ela permite fazer.
A comparação da XDA entre eletricidade e tarifas de API não calcula o valor por token de uma assinatura, nem demonstra equivalência entre a qualidade dos modelos ou o trabalho realizado. Para decidir entre as opções, o custo relevante depende do equipamento que já se tem, do volume de uso e do tipo de serviço que a API substituiria.