O ano era 1995. Comprar um computador completo naquela época era um evento que nenhum membro da família podia perder, e fazer algo simples como atualizar a memória RAM custava uma fortuna. Isso deu origem a todo tipo de programas que exploravam o “efeito placebo”, prometendo saltos mágicos de desempenho por um preço fixo. Um desses programas era o SoftRAM, criado pela Syncronys Softcorp. A ideia de “duplicar a RAM” com um software tentou milhares de usuários e se tornou uma fraude de milhões de dólares…

SoftRAM: a fraude que “duplicava a RAM” apenas com software
SoftRAM

Levar a memória RAM de um computador de 8 para 16 gigabytes custa cerca de 50 euros hoje em dia, embora o preço final dependa do tipo de módulo e suas especificações. No entanto, houve uma época em que pagávamos essa mesma quantia por 8 megabytes. Armazenamento e memória volátil foram duas das atualizações mais dolorosas para os usuários nos anos 80 e 90 (sem ir muito longe, um disco rígido portátil de 20 MB valia 1.325 dólares em 1985), e essa situação se estendeu por muitos anos.

O usuário só tinha duas opções: usar software mais eficiente e manter sua configuração atual, ou entregar um rim e obter um módulo de memória… mas em 1995 apareceu uma empresa chamada Syncronys Softcorp, que fez uma promessa fabulosa: duplicar a memória RAM disponível usando software. Seu elixir se chamava SoftRAM e era compatível com Windows 3.x, além de oferecer uma atualização para Windows 95. 4 megabytes se tornavam 8, 8 megabytes se tornavam 16. E com um preço sugerido de 80 dólares (ou 29,95 para a edição 3.x), alguns não pensaram duas vezes, mas…

SoftRAM: “Duplique sua memória RAM, hoje!”

… era uma fraude. A documentação do SoftRAM continha informações sobre o arquivo de paginação, memória virtual e como combinava um sistema proprietário de compressão com uma “desfragmentação de RAM” para duplicar a memória física. Ora, o conceito de “comprimir memória” é legítimo. Sem ir muito longe, ao visitar a seção Memória do Gerenciador de Tarefas no Windows 10, notamos que parte da memória costuma ser comprimida (a menos que a desativemos), mas o SoftRAM não fazia nada disso. Uma interface bonita, um par de tacômetros, alguns botões… tudo falso.

SoftRAM: a fraude que “duplicava a RAM” apenas com software
Mais relógios, mais velocidade (?)

A PC Magazine foi uma das primeiras publicações a expor o SoftRAM. Um portal alemão chamado “c’t” o destruiu com sua análise detalhada, comprovando que a única mudança relevante era aumentar o tamanho do arquivo de paginação. A pior parte? A Syncronys Softcorp vendeu mais de 700 mil cópias do SoftRAM (ambas as versões) entre maio e dezembro de 1995.

Logicamente, o escândalo exigiu a intervenção da FTC americana, e a “empresa” chegou a um acordo com essa agência em julho de 1996, aceitando o reembolso de… 10 dólares por licença. A Syncronys Softcorp declarou falência em 1998 com um déficit de 4,5 milhões de dólares e tentou voltar ao mercado no mesmo ano com outro software, mas o dano já estava feito.

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