A Tesla divulgou em 21 de outubro de 2026 os resultados do terceiro trimestre: receita de US$ 28,046 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, e lucro líquido GAAP atribuível aos acionistas ordinários de US$ 787 milhões, queda de cerca de 43%. O trimestre terminou em 30 de setembro, e os números apresentados pela empresa são não auditados.

O resultado reuniu movimentos diferentes: serviços cresceram, os negócios automotivo e de energia perderam receita, e as despesas operacionais avançaram. Ao mesmo tempo, a Tesla manteve fluxo de caixa livre positivo e relatou o início da produção do Optimus em Fremont e da produção em volume do Tesla Semi em Nevada.

O que pressionou o lucro da Tesla

A receita total caiu aproximadamente 0,2% em um ano. A mudança mais forte apareceu nas despesas operacionais, que cresceram cerca de 39%, enquanto o lucro operacional recuou 56%. A margem operacional, parcela da receita que restou após custos e despesas da operação, ficou em 2,6%.

A comparação ajuda a entender por que faturamento quase estável pode conviver com uma queda tão grande no lucro. O lucro bruto da Tesla aumentou de US$ 5,054 bilhões para US$ 5,494 bilhões, um avanço de US$ 440 milhões. As despesas operacionais, porém, cresceram US$ 1,346 bilhão. Esse aumento superou a melhora do lucro bruto e reduziu o resultado operacional.

Calculada a partir do lucro bruto e da receita divulgados pela empresa, a margem bruta passou de aproximadamente 18,0% para 19,6%. A melhora foi de cerca de 1,6 ponto percentual. Portanto, houve maior margem nessa etapa da operação, mas também despesas maiores depois dela.

Automóveis e energia recuaram; serviços cresceram

O negócio automotivo registrou receita de US$ 20,560 bilhões, cerca de 3% abaixo do terceiro trimestre de 2025. A Tesla entregou 486.532 veículos, ante 497.099 um ano antes, e produziu 464.391 unidades, contra 447.450 no período comparável. Segundo a empresa, a disponibilidade de baterias limitou o aumento do volume automotivo.

Em geração e armazenamento de energia, a receita caiu aproximadamente 16%, para US$ 2,881 bilhões. A Tesla atribuiu parte desse efeito a reembolsos a clientes relacionados a tarifas comerciais. O volume de armazenamento implantado seguiu outra direção: passou de 12,5 GWh para 13,7 GWh.

Serviços e outros negócios faturaram US$ 4,605 bilhões, alta de cerca de 33%. Esse crescimento compensou boa parte da redução de receita das outras duas divisões e ajudou a manter o faturamento total próximo ao do ano anterior.

O caixa continuou positivo, com investimento maior

A Tesla gerou caixa suficiente nas operações para cobrir os investimentos de capital do trimestre. Pela definição da companhia, o fluxo de caixa livre corresponde ao fluxo de caixa operacional menos os investimentos de capital, também chamados de capex.

O fluxo operacional variou pouco, mas o capex mais que dobrou. Como consequência, o dinheiro restante após esses investimentos caiu cerca de 62%, embora tenha permanecido positivo.

Comparação dos principais resultados

Valores em milhões de dólares, exceto as variações percentuais. As variações anuais são aproximadas, calculadas a partir dos valores divulgados pela Tesla.

Indicador3º trimestre de 20253º trimestre de 2026Variação anual
Receita total28.09528.046−0,2%
Lucro líquido GAAP atribuível aos acionistas ordinários1.373787−43%
Lucro operacional1.624718−56%
Despesas operacionais3.4304.776+39%
Fluxo de caixa operacional6.2386.263+0,4%
Investimentos de capital2.2484.732+110%
Fluxo de caixa livre3.9901.531−62%

Por que o lucro ajustado foi maior que o GAAP

A Tesla apresentou lucro líquido não GAAP de US$ 1,697 bilhão, ante US$ 1,770 bilhão um ano antes. O lucro diluído por ação foi de US$ 0,48 nessa base ajustada, contra US$ 0,50 no terceiro trimestre de 2025. Pela contabilidade GAAP, os valores por ação foram de US$ 0,22 e US$ 0,39, respectivamente.

GAAP é o conjunto de princípios contábeis geralmente aceitos nos Estados Unidos. Já a medida não GAAP aplica ajustes definidos pela Tesla. A companhia exclui remuneração baseada em ações, ganhos ou perdas não realizados com ativos digitais e com sua participação acionária na SpaceX, líquidos de impostos, além de determinados itens fiscais.

Essas exclusões explicam a diferença entre as duas medidas de lucro. O fluxo de caixa livre segue uma conta própria, baseada no caixa gerado pelas operações e nos investimentos de capital.

Como houve superação de estimativas com queda no lucro?

Superar uma projeção de analistas e crescer em relação ao ano anterior são comparações diferentes. Os US$ 0,48 de lucro ajustado por ação ficaram acima dos US$ 0,43 previstos pelo consenso da LSEG citado pela CNBC. A receita também superou a estimativa de US$ 27,88 bilhões desse levantamento.

Já o consenso da Bloomberg citado pelo Yahoo Finance previa receita de US$ 28,13 bilhões e lucro ajustado de US$ 0,44 por ação. Nesse caso, a Tesla ficou abaixo da projeção de receita e acima da de lucro ajustado por ação. O resultado frente às expectativas depende, portanto, do indicador e do levantamento utilizado.

O que entra nos 1,74 milhão de assinaturas ativas do FSD

A Tesla informou 1,74 milhão de assinaturas ativas do Full Self-Driving (Supervised), seu sistema de assistência à condução, ante 1,04 milhão um ano antes. A definição da empresa reúne compras com pagamento antecipado e assinaturas mensais, excluindo os períodos de teste gratuito.

Essa composição importa para quem acompanha o negócio de software: o total agrega duas modalidades de pagamento, com características diferentes de receita. A Tesla também informou que mais de 75% das novas entregas na América do Norte tinham FSD contratado.

Segundo a companhia, o Full Self-Driving (Supervised) exige supervisão ativa do motorista e não torna o veículo autônomo.

Optimus, Semi e Cybercab: produção e operação relatadas

A Tesla afirmou que iniciou a produção do Optimus em linhas de alto volume em Fremont durante o terceiro trimestre. A empresa descreveu as primeiras unidades como robôs com qualidade de produção. Elon Musk, porém, caracterizou o estágio como inicial e disse que ainda havia trabalho de projeto, confiabilidade, durabilidade e inteligência artificial.

Musk projetou uma taxa de 20 mil robôs por semana até o fim de 2027. Ele também afirmou que a maior parte de uma linha com capacidade projetada para 1 milhão de unidades anuais estava instalada em Fremont. A produção efetiva dependerá da evolução dessa fase inicial.

Para o Tesla Semi, a companhia relatou o início da produção em volume em Nevada. Na configuração de maior autonomia, a Tesla declara aproximadamente 805 km de alcance com peso bruto combinado de cerca de 37,2 toneladas, que abrange o conjunto do veículo e a carga. O consumo declarado equivale a aproximadamente 1,06 kWh por quilômetro.

No serviço Robotaxi, a Tesla disse que as viagens com Cybercab começaram em Austin em 3 de setembro de 2026. Segundo a empresa, a distância acumulada de operação sem supervisão chegou a quase 3,2 milhões de quilômetros até o encerramento do trimestre.

Ashok Elluswamy, executivo de software de inteligência artificial da Tesla, estimou que os primeiros veículos de clientes poderiam integrar a frota Robotaxi por volta do segundo trimestre de 2027.

As metas de investimento e fabricação

Durante a teleconferência de resultados, a Tesla revisou sua meta de investimentos de capital para aproximadamente US$ 20 bilhões em 2026, conforme relataram Yahoo Finance e Shacknews. O diretor financeiro Vaibhav Taneja disse que a companhia pretendia financiar esses gastos principalmente com o caixa gerado pelas operações.

Na infraestrutura de inteligência artificial, a Tesla estabeleceu a meta de chegar ao fim de 2026 com 400 MW de capacidade de computação para treinamento no projeto Super Intelligence. Para veículos, Musk apresentou o objetivo de alcançar uma produção anual de 5 milhões de unidades por volta de 2030.

Na fabricação de chips, a Tesla informou que iniciou trabalhos de construção da fábrica de Austin e planejava colocar os equipamentos em funcionamento em 2027. Ao discutir a iniciativa Terafab, Musk apontou como objetivo obter produção útil de chips em volume por volta do terceiro trimestre de 2028.