Em reportagem publicada em 16 de outubro, a Folha de S.Paulo detalhou falhas e restrições em ferramentas usadas pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. No dia 15, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia ordenado à Meta medidas para garantir tratamento igual às duas candidaturas, segundo a Associated Press. A Meta negou viés político.
O que o TSE ordenou à Meta
A ordem relatada pela Associated Press exige medidas para assegurar tratamento igual a Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Segundo a agência, as exigências abrangem práticas de distribuição de conteúdo político, restrições a buscas e remoção de publicações que possam criar desequilíbrio, além de critérios idênticos para a ferramenta de inteligência artificial da Meta. A multa prevista em caso de descumprimento é de R$ 500 mil por dia. (Associated Press)
Falhas em anúncios, impulsionamento e buscas
A Folha relatou que, em 9 de outubro, a conta de Instagram de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações do feed. A promoção de novos dark posts e os impulsionamentos que já estavam ativos continuaram, segundo a reportagem, baseada em mensagens internas da Meta. (Folha de S.Paulo)
A mesma reportagem descreveu separadamente uma interrupção global de dados em 7 de outubro, que durou cinco horas, afetou mais de 3 mil contas e prejudicou dados de visualizações. Na busca do WhatsApp por “Exército do Lula”, apareceram, entre outros resultados, o canal “Tropa do Flávio” e o canal do Partido dos Trabalhadores. A Folha também relatou que o perfil de Flávio era recomendado no Instagram, enquanto uma busca pelo nome exato de Lula não retornava o perfil dele.
A Meta negou viés político
A campanha de Lula alegou que restrições de alcance prejudicavam seu conteúdo e que conteúdos ligados a Flávio recebiam tratamento favorável. A Meta negou favorecimento político e atribuiu os incidentes a causas técnicas, medidas antifraude ou à aplicação das regras eleitorais brasileiras, segundo a Associated Press.
A Folha informou que as conversas internas que examinou tratavam de falhas operacionais, sem uma admissão de interferência eleitoral intencional. O Público relatou que o juiz Marco Aurélio Bellizze considerou insuficientes, naquele momento, os elementos para concluir que a Meta havia manipulado deliberadamente a distribuição de conteúdo. (Público)
O estudo sobre anúncios políticos irregulares
Em reportagem publicada em 16 de outubro, a Associated Press informou que um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificou ao menos 1.613 anúncios políticos irregulares na Meta entre julho e setembro. O levantamento contabilizou 171 milhões de visualizações e cerca de R$ 2 milhões em receita. Os números se referem ao conjunto de anúncios estudado.