1992 foi um ano vertiginoso para o áudio em computadores. A Ad Lib voou pelos ares, a Creative conquistou o mundo com a Sound Blaster 16, e o jogo era ser compatível com Sound Blaster ou morrer na tentativa. No entanto, a Microsoft decidiu participar de uma forma bem peculiar: seu Windows Sound System nasceu no final de 1992 como uma especificação, mas chegou ao mercado com um pacote composto por uma placa de som, um microfone, fones de ouvido e vários programas.

Em termos simples, o MS-DOS não tinha suporte de áudio algum, e para tirar qualquer som dos alto-falantes, o programa ou jogo em questão precisava falar diretamente com o hardware. Na verdade, até o conceito de driver era muito estranho, e em muitos casos, o requisito não ia além de um parâmetro SET BLASTER.

E aí estava a chave: compatibilidade Sound Blaster. Muitos fabricantes fizeram o impossível para alcançá-la, mas a Microsoft decidiu apostar em seu próprio suporte, sua própria especificação. Assim chegamos ao Windows Sound System, lançado oficialmente no final de 1992 para o Windows 3.1. O mais interessante é que o WSS não se limitou ao papel, e também recebeu um pacote de hardware formado por uma placa de som, um microfone, fones de ouvido e software. O canal DOS Storm no YouTube explorou recentemente um desses pacotes:

Windows Sound System: A placa de som da Microsoft que ninguém lembra
Windows Sound System: A placa de som da Microsoft que ninguém lembra

Windows Sound System: o som segundo a Microsoft, em 1992

Com um preço oficial de 289 dólares, o Windows Sound System se posicionava no mesmo nível da Sound Blaster Pro, mas suas especificações gerais (amostragem digital de 16 bits a 48 kHz) permitiam superá-la e competir com sua irmã mais velha, a Sound Blaster 16. Em um de seus testes, o DOS Storm demonstra que a construção do WSS é mais sólida e gera menos ruído que as primeiras gerações da SB16. Como se não bastasse, a placa da Microsoft oferecia uma saída estéreo RCA, algo não tão comum naquela época.

Logicamente, a placa também carregava suas limitações. Wavetable, interface para CD-ROM e a porta MIDI/joystick brilhavam pela ausência, mas nem sequer havia uma rota interna para redirecionar o áudio de um CD-ROM. A primeira tentativa de emulação Ad Lib e Sound Blaster surgiu com os drivers WSS 1.0a, lançados em fevereiro de 1993, embora seu desempenho deixasse muito a desejar. A condição ideal para essa placa sob MS-DOS era que o jogo já oferecesse suporte WSS por padrão, como foi o caso do Descent. A lista de compatibilidade apenas ultrapassa os 200 títulos, contra mais de 2.600 sob Sound Blaster.

Windows Sound System: A placa de som da Microsoft que ninguém lembra
Yamaha OPL3, saída RCA... nada mal, mas...

Agora, a Microsoft não podia ir contra sua própria natureza, e tentou apresentar o Windows Sound System como uma ferramenta para o ambiente empresarial, com a possibilidade de (e não estou inventando) “falar” com uma planilha do Excel para adicionar anotações, e ouvir uma narração dos seus dados. O diminuto dicionário se encarregou de reduzir essa segunda função a uma simples curiosidade.

Em resumo, o Windows Sound System não era terrível, mas naquela época só nos importava o suporte Sound Blaster, e outros clones não demoraram muito para cobrir esse espaço, com um custo menor.

Fontes: DOS Storm no YouTube, MobyGames