O streaming pode ter simplificado bastante o acesso ao conteúdo audiovisual, mas carrega um lado sombrio com catálogos erráticos, restrições absurdas e preços em alta. Desafiando o tempo e as tendências, muitos usuários estão voltando aos formatos físicos, e no Reino Unido (Suffolk, para ser mais preciso) ainda existe um videoclube chamado Northgate Video, que aluga e vende milhares de DVDs...
O último Blockbuster do mundo fica em Bend, no estado de Oregon. Sua página oficial indica que possui mais de 21 mil filmes, e continua incorporando novos conteúdos. Mas também devemos reconhecer que ele conta com uma vantagem midiática muito importante: «El Último Blockbuster» é um título poderoso, a tal ponto que se tornou documentário há alguns anos.
Felizmente, ao redor do mundo existem outros lugares, espaços, refúgios para todos esses filmes e séries em discos ópticos que procuram um lar. Um deles está em Bury St Edmunds, cidade do condado de Suffolk. Northgate Video é administrado por seu dono, Steve Webber, e ele está nesse papel há 43 anos. Mas como conseguiu resistir à tempestade do streaming? Em essência, deixou de vê-lo como um negócio.
Northgate Video, um recanto de magia audiovisual
Webber ainda oferece aluguéis de filmes a clientes frequentes, mas principalmente se dedica à venda de «ex-rentals» (entre 2.000 e 3.000 cópias), e demonstra certo orgulho ao conseguir quase tudo o que pedem. As solicitações costumam ser «aleatórias e antigas», desde 1950 até a atualidade. Webber também menciona que a queda da Blockbuster o beneficiou muito no início, multiplicando seus rendimentos por dez naquela época.
Em contrapartida, o aparecimento do streaming com Netflix, Prime Video e Disney Plus o atingiu duramente, especialmente nos últimos 18 meses. Quase tudo estreia primeiro no streaming ou se torna material exclusivo (algo inevitável considerando que as próprias plataformas são produtoras), e a equação muda completamente. Webber admite que se dependesse do videoclube «fecharia no dia seguinte», mas seu objetivo é a interação, as visitas de seus «regulares», manter conversas e ver sua alegria quando encontram algo que procuravam há meses.
O que acontecerá no futuro? Webber, de 72 anos, planeja seguir em frente e resistir como «o último homem de pé» entre os videoclubes do Reino Unido. Estima-se que restem menos de dez deles lá.
Fonte: BBC