DOS. Sua essência dominou o mundo e as vontades de milhões de usuários por anos. Conseguimos coisas extraordinárias com essa família de sistemas operacionais (incluindo todos os desenvolvimentos que não saíram da Microsoft), e também nos ensinou uma nova definição de dor. No entanto, ainda existem detalhes que não conseguimos resolver nessas últimas quatro décadas, e Bryan Lunduke decidiu explorar um deles: A falta de multitarefa no DOS, é um mito ou não? Como você pode imaginar, a resposta para a Web é um gigantesco “depende”…
Era o melhor dos tempos e era o pior dos tempos; a era da sabedoria e também da loucura…
Dickens deu uma verdadeira aula com essa introdução, mas o mais impressionante é que ela se adapta perfeitamente a os anos do DOS. As mudanças aconteciam a uma velocidade assustadora: tudo era novo, e em apenas um piscar de olhos, o novo já era velho, substituído por algo ainda mais novo que estava condenado a repetir o ciclo. Ainda assim, DOS transmitia rigidez. Aprendemos a usar computadores, mas foi um processo doloroso e impiedoso, com arquivos de configuração editados manualmente, uma documentação interminável e lutas constantes para recuperar kilobytes da memória convencional.
Imaginar o DOS fazendo algo “diferente” não era comum, e qualquer ideia de multitarefa pertencia a uma dimensão paralela… mas a realidade mostrou outra coisa. Independentemente das diferenças técnicas entre o multitarefa cooperativo e o multitarefa preemptivo (ou “preemptive”), o certo é que existiram vários desenvolvimentos especiais com a capacidade de reproduzir essa funcionalidade multitarefa sob DOS, e o portal de Bryan Lunduke nos ensina alguns dos exemplos mais relevantes.
A busca pelo multitarefa no DOS
A posição de Lunduke fica clara desde o início: O DOS podia fazer multitarefa, de forma nativa em alguns casos, e com a ajuda de ferramentas externas em outros. Entre as opções nativas destaca-se o Concurrent DOS, criado pela Digital Research e Gary Kildall (DR-DOS e GEM também surgiram daí), apresentado como um “sistema operacional multitarefa e multiusuário”. No entanto, seria um erro de nossa parte não mencionar o “MS-DOS 4.0 Multitasking”.
Por que isso é importante? Muito simples: nem todo mundo sabe que existiram duas versões do MS-DOS 4. A mais comum foi a desenvolvida pela IBM, que lembramos por sua infinita quantidade de bugs e erros de compatibilidade. Em contrapartida, o MS-DOS 4.0 Multitasking foi um projeto breve da Microsoft que em 1986 incluiu (entre outras coisas) multitarefa preemptiva real. Infelizmente, esse sistema não fez muito barulho, mas se transformou em uma espécie de proto-OS/2. O artigo continua com referências ao IBM TopView, ao Quarterdeck DESQview e a um sistema operacional quase esquecido, com o nome de Wendin-DOS.
Em resumo, a família de sistemas DOS não era alheia ao multitarefa. Agora, se podemos chamar isso realmente de multitarefa ou não… essa é uma dúvida que nos joga em um buraco muito mais negro do que pensamos. Pode um computador com um processador, um núcleo e um thread fazer multitarefa? É válido falar em multitarefa quando o DOS nem sequer era capaz de processar o conceito de “tarefa”? Os comentários estão abertos.
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