Em 2 de setembro de 2026, a juíza distrital dos Estados Unidos Leonie M. Brinkema rejeitou o pedido do U.S. Department of Justice para obrigar a Google a vender a AdX ou dividir seu negócio de tecnologia de publicidade. A decisão escrita foi tornada pública em 16 de setembro e adotou outro caminho: restrições de conduta, compartilhamento de dados, monitoramento e mudanças técnicas para abrir à concorrência os mercados que o tribunal havia considerado ilegalmente monopolizados.

O que a Google terá de mudar na publicidade digital

A ordem impede a Google de exigir que editoras que usam seu servidor de anúncios também utilizem sua bolsa de anúncios. A AdX é a plataforma que intermedeia ofertas de compra de publicidade em milissegundos; o servidor de anúncios ajuda a editora a administrar e vender seu espaço publicitário.

O pacote de medidas também prevê:

  • proibição de práticas de lances discriminatórias;
  • compartilhamento de dados;
  • integração da AdX com servidores de anúncios de editoras rivais;
  • supervisão por um Monitor e um Comitê Técnico.

A lógica é comportamental: a Google continua controlando seus produtos, mas precisa alterar regras e conexões que afetam a forma como anunciantes, editoras e bolsas de anúncios competem entre si.

O que o Departamento de Justiça queria — e o que foi adotado

O Departamento de Justiça defendia uma solução estrutural, com a separação de ativos da Google. A decisão adotou salvaguardas de funcionamento em vez de ordenar a venda da AdX.

Dimensão do remédioProposta do U.S. Department of JusticeAbordagem adotada pelo tribunal
Separação estruturalVenda da AdX, abertura do código da lógica final de leilão do DoubleClick for Publishers (DFP) e possibilidade de uma futura separação do DFPNenhuma venda da AdX e nenhuma divisão do negócio de tecnologia de publicidade da Google
Duração da supervisão15 anos ou maisSeis anos, com possibilidade de extensão se o cumprimento for incompleto
Proteções à concorrênciaSeparação estrutural combinada com medidas comportamentaisProibição de lances discriminatórios, compartilhamento de dados e integração da AdX com servidores de anúncios rivais
CumprimentoSupervisão governamental associada às medidas comportamentaisMonitor e Comitê Técnico para acompanhar o cumprimento

O caso começou em 2023. Em 17 de abril de 2025, Brinkema havia considerado a Google responsável por monopolizar ilegalmente os mercados de servidores de anúncios para editoras e de bolsas de anúncios, além de vincular o DFP à AdX.

Seis anos de controle, com possibilidade de prorrogação

A ordem foi estabelecida para durar seis anos. O prazo pode ser ampliado se a Google não cumprir integralmente as obrigações impostas pelo tribunal.

O Monitor e o Comitê Técnico fazem parte da estrutura de supervisão, mas a decisão divulgada não detalha aqui todos os prazos técnicos nem cada atribuição operacional desses órgãos. O ponto central é que a Google não recebeu uma autorização para manter as práticas contestadas sem acompanhamento: o cumprimento passa a ser uma obrigação supervisionada.

A decisão pode alcançar produtos fora dos Estados Unidos?

Sim, a aplicação mundial é uma possibilidade prevista na decisão. Brinkema indicou que as mudanças exigidas poderiam ser implementadas de forma consistente nas diferentes regiões em que a Google opera.

Isso amplia o alcance potencial das regras para produtos usados por anunciantes e editoras fora dos Estados Unidos, mas não transforma essa possibilidade em prova de que todas as mudanças já foram implementadas globalmente.