Um estudo publicado em 3 de novembro de 2026 relata a detecção de cloreto de hidrogênio (HCl) perto de Alba Mons, em Marte. Os pesquisadores consideram que o gás pode estar escapando de um sistema magmático subterrâneo, mas a interpretação se baseia em indícios indiretos. A entrevista da Agência Espacial Europeia (ESA) com o coautor Daniel Mège informa que nenhuma erupção ou fluxo de lava em propagação foi observado em Marte.

Mège relatou uma concentração de cerca de 2 ppbv: aproximadamente duas moléculas de HCl para cada bilhão de moléculas de ar. A sigla significa partes por bilhão em volume.

O que a TGO detectou perto de Alba Mons

O sinal de HCl foi localizado perto de Alba Mons durante o início do verão no hemisfério norte, período em que o gás costuma quase desaparecer da atmosfera marciana. A concentração relatada é pequena, mas a localização da detecção chamou a atenção dos pesquisadores por coincidir com estruturas na superfície.

A análise reuniu dados atmosféricos da Atmospheric Chemistry Suite (ACS), instrumento da ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), e imagens da câmera CaSSIS, também a bordo da sonda. As imagens mostram fraturas estreitas nas encostas de Alba Mons, algumas com centenas de metros de comprimento, associadas a mudanças de cor no terreno.

Fraturas podem oferecer uma pista geológica

Os pesquisadores propõem que as fraturas possam servir de passagem para gases vindos do subsolo. A equipe avaliou também explicações químicas para o HCl na atmosfera, incluindo processos envolvendo água e poeira rica em cloro. Mège considera o escape de gases de origem magmática a explicação mais provável, mas a associação entre o gás e as fraturas não comprova que haja magma ativo sob Alba Mons.

A coincidência entre o sinal de HCl e as fraturas torna a hipótese geológica plausível; não transforma a interpretação em uma erupção observada.

As estações também alteram o sinal de HCl

Em geral, as concentrações de HCl na atmosfera de Marte são maiores durante o inverno no hemisfério norte e caem para níveis próximos do desaparecimento no verão. A detecção localizada perto de Alba Mons no início do verão se destaca desse padrão mais amplo.

Há processos que podem alterar a quantidade de HCl observada sem indicar uma mudança na atividade subterrânea. Mège explica que partículas de gelo podem capturar o gás e que o congelamento e o degelo sazonais do permafrost superficial em latitudes elevadas podem reter ou liberar gases. A variação sazonal, por si só, não identifica a origem do HCl.

O que a descoberta diz sobre a busca por vida

A detecção de HCl não é evidência de vida em Alba Mons. Mège distingue o HCl, associado à hipótese magmática, de gases hidrotermais, que podem ajudar a identificar ambientes de interesse para investigar a possibilidade de vida. Mesmo a presença de um ambiente hidrotermal não significaria que ele abriga organismos.