Em 8 de outubro, veio a público o relato de Mario Rodríguez Mestre: sua pesquisa inédita descrevia assinaturas virais semelhantes às associadas ao sistema ART anunciado pela Anthropic. Ele disse ter compartilhado rascunhos de dissertação, análises e outros materiais por meio de uma conta privada do Claude, mas afirmou que não consegue demonstrar que a empresa usou seu trabalho. O caso retoma a questão de atribuição abordada pelo NeoTeo em uma matéria anterior sobre o relato de Mestre.
O relato de Mario Rodríguez Mestre
Mestre, pesquisador de biologia computacional e doutorando na University of Copenhagen, disse que seu trabalho inédito se sobrepunha ao sistema descrito pela Anthropic. Ele também afirmou que não consegue demonstrar que a empresa se apropriou da pesquisa.
A Anthropic negou que sua equipe de biologia tenha acessado as transcrições de Mestre ou que Claude tenha sido treinado com transcrições de usuários. A negativa não resolve a questão sobre a possível influência do material compartilhado no trabalho da empresa.
O que a Anthropic informou sobre ART
Em 23 de setembro, a Anthropic anunciou que agentes do Claude ajudaram a identificar em bacteriófagos — vírus que infectam bactérias — um sistema que chamou de transcriptases reversas associadas a arranjos de repetições (ART, na sigla em inglês). A transcriptase reversa, enzima que produz DNA a partir de RNA, já era conhecida. O sistema descrito reúne essa enzima, um gene parceiro e um arranjo de repetições regulares de DNA.
A empresa afirmou que cerca de 950 agentes analisaram mais de 200 mil transcriptases reversas durante 21 horas, selecionaram 3.500 sistemas candidatos e reduziram a lista a 20 para uma análise mais detalhada. A busca consumiu 210 milhões de tokens. A Anthropic também afirmou que cientistas humanos realizaram todo o trabalho de laboratório.
Nos experimentos iniciais descritos pela Anthropic, o arranjo de repetições produziu RNAs curtos distintos. A função biológica do ART continua desconhecida, e sua atividade de edição genética não foi demonstrada. Em 8 de outubro, o trabalho ainda não havia passado por revisão por pares.
O que as buscas adicionais indicam
Em dez buscas adicionais, os agentes não encontraram o arranjo de repetições. O resultado diz respeito à repetibilidade do processo de busca; a observação inicial de RNAs curtos e a função biológica do sistema são questões distintas.