A Meta atribuiu episódios distintos a falhas técnicas: um congelamento do contador de visualizações do Instagram Reels, um problema na criação de anúncios e uma brecha temporária no Meta AI. Mas a Associated Press informou que a empresa não explicou por que canais de Flávio Bolsonaro recebiam recomendações no Instagram e no WhatsApp. AP

Falhas diferentes, em datas diferentes

A Meta reconheceu que desativou por engano a conta de anúncios da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 23 de setembro de 2026. Segundo a EFE, a conta ficou desativada por pouco mais de uma hora, depois que um anúncio foi sinalizado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo brasileiro. EFE

A empresa também atribuiu outros problemas a falhas técnicas, segundo a AP. Um congelamento do contador de visualizações do Reels afetou mais de 100 países, mas, de acordo com a Meta, a distribuição dos conteúdos continuou normal. Separadamente, uma falha em uma ferramenta interrompeu por um dia a criação de anúncios a partir de publicações existentes do Instagram. AP

Em 9 de outubro, o perfil oficial de Lula no Instagram não conseguiu promover publicações do feed por quase 24 horas, segundo reportagem do El País baseada em relatos da campanha e em apuração da Folha de S.Paulo. Administradores da campanha estimaram que quase 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios. El País

A explicação atribuída à Meta AI

A AP informou que a Meta atribuiu parte dos problemas na geração de imagens de campanha a uma brecha temporária envolvendo nomes próprios genéricos e números eleitorais. Segundo a explicação da empresa relatada pela agência, alguns pedidos de imagens favoráveis a Lula foram bloqueados, enquanto pedidos relacionados a Flávio Bolsonaro ainda funcionaram por mais um dia. AP

As recomendações relatadas e a resposta do TSE

Reportagem em português do UOL sobre as restrições de alcance relatadas e as recomendações atribuídas às plataformas.

O El País, citando a apuração da Folha de S.Paulo, relatou que mensagens internas da Meta descreviam restrições às contas de Lula enquanto recomendações favoreciam Flávio Bolsonaro. A reportagem também descreveu buscas no WhatsApp sobre Lula que sugeriam o canal de Flávio e sugestões do Instagram que exibiam o perfil de Flávio, mas não o de Lula quando o nome do presidente era digitado. El País

A AP informou que a Meta não explicou por que os canais de Flávio Bolsonaro recebiam recomendações algorítmicas no Instagram e no WhatsApp. A empresa negou favorecer ou suprimir candidatos por motivos políticos e atribuiu os episódios citados a problemas técnicos. AP

Em 15 de outubro, um juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta assegurasse tratamento igual a Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno, previsto para 25 de outubro. A AP informou que o descumprimento poderia resultar em multa diária de 500 mil reais. AP/KSAT

Segundo a EFE, o juiz Marco Aurélio Bellizze avaliou que as provas disponíveis naquele momento eram insuficientes para concluir que a Meta havia manipulado deliberadamente a distribuição de conteúdo para beneficiar ou prejudicar uma candidatura. EFE