No início do ano passado falamos sobre a garrafa Fontus, e a verdade é que tivemos dúvidas sobre esse projeto desde o começo. O tempo não fez nada além de nos dar razão, mas a ideia de extrair água do ar não é falsa; ela exige um desenvolvimento muito mais avançado. Foi assim que chegamos a este projeto, que combina as forças do MIT e da Universidade da Califórnia em Berkeley. O resultado é um novo dispositivo passivo alimentado por energia solar, que coleta quase três litros de água em doze horas.
Por mais difícil que seja acreditar, algo tão simples como abrir a torneira e obter água segura nos torna privilegiados. Um terço da população humana vive em regiões áridas, com escassez constante de água. A mudança climática não está ajudando em nada, e o que se precisa são soluções, de todos os tipos. No entanto, quando alguém diz ter criado um dispositivo capaz de extrair água do ar, é lógico desconfiar. O bom é que, desta vez, o dispositivo foi criado por um grupo de cientistas do MIT e da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Basicamente, o que temos aqui é uma plataforma baseada em um material chamado MOF (sigla para metal-organic frameworks), alimentada por energia solar, embora isso não seja obrigatório. Qualquer fonte básica de calor serve para o dispositivo, até mesmo uma fogueira. Com um ajuste preciso de sua composição química, a superfície do MOF se torna extremamente hidrófila, coletando água em condições de umidade tão baixas quanto 20 por cento. Os testes de desempenho indicam que um quilograma de MOF pode extrair 2,8 litros de água em um período de doze horas. A única intervenção maior por parte do usuário (sempre que utilizar energia solar) é abrir o dispositivo e retirar o líquido.
O próximo passo é otimizar ainda mais o MOF, que no momento consegue coletar até 25 por cento do próprio peso em água. Os cientistas acreditam que é possível dobrar esse número, com níveis de eficiência que permitam ir além de “água para uma pessoa”, e pensar em água para famílias inteiras.