O SARS-CoV-2 é minúsculo, mas conseguiu colocar em xeque tantas economias e indústrias. Com fronteiras fechadas e destinos turísticos bloqueados, a aviação comercial foi uma das mais prejudicadas. As principais companhias têm apenas duas opções: aposentar os aviões mais antigos e armazenar o restante. Colocar um modelo obsoleto em um cemitério não parece tão complicado; no entanto, o que acontece com aqueles aviões que precisam voltar aos céus?

Os desafios de armazenar grandes frotas de aviões
Aviões

A pandemia de COVID-19 nos pegou em uma dança perversa. Os países abrem, fecham, relaxam e ajustam conforme o número de casos detectados. Como era de esperar, essas manobras entram em conflito com atividades que dependem do transporte em massa de pessoas... e assim chegamos à aviação comercial.

As companhias aéreas estão em crise, não há dúvidas. Algumas tentam reiniciar suas estruturas com ofertas e compras de passagens futuras, mas hoje são basicamente uma sombra... e ainda têm milhares de aviões no chão. Isso levanta várias perguntas: Onde armazená-los? Que tipo de cuidados eles exigem? Por quanto tempo podem ser mantidos fora do circuito? Perguntas básicas na superfície, mas que precisam de uma exploração mais detalhada.

Os desafios de armazenar grandes frotas de aviões
O Parque Aéreo Pinal, no Arizona, tecnicamente mais alinhado ao papel de 'cemitério'.

O primeiro passo é encontrar uma boa localização. A grande maioria dos aeroportos tradicionais não foi projetada para armazenamento de longo prazo, e também existem exigências climáticas a serem consideradas. O 'lugar ideal' para um avião é seco e relativamente frio. As razões são duas: por um lado, a umidade acelera o processo de corrosão, estimula o crescimento microbiano e o aparecimento de fungos tanto no interior da aeronave quanto em elementos específicos (por exemplo, tanques de combustível). Por outro lado, o excesso de temperatura prejudica tudo o que é baseado em borracha e adesivos, e a luz ultravioleta pode causar danos adicionais.

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Se essa combinação de 'frio e seco' não estiver disponível, as companhias aéreas estão dispostas a aceitar regiões com temperaturas mais altas, desde que haja pessoal de manutenção por perto para trabalhar nos aviões se necessário. Por exemplo, a Qantas decidiu que seus Boeing 787 descansem no aeroporto de Victorville, pois a umidade na Califórnia é mais baixa do que na Austrália, e a companhia conta com uma equipe de engenheiros estacionada em Los Angeles.

Os desafios de armazenar grandes frotas de aviões
O aeroporto de Teruel, na Espanha. Em meados de maio, quase uma centena de aviões descansavam ali.

Outro dado importante é que existe uma grande diferença entre 'estacionamento ativo' e 'armazenamento profundo'. Os aviões sob estacionamento ativo estão essencialmente prontos para voar, guardados em aeroportos ou muito perto de suas rotas. Nessa configuração, um avião não levaria mais de 48 horas para voltar ao serviço. Os trens de pouso são lubrificados e todas as aberturas são cobertas, com atenção especial aos motores. Também são 'levados para passear' para evitar a deformação dos pneus, e são feitas reativações periódicas da eletrônica e dos sistemas hidráulicos.

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O armazenamento profundo exige outro tipo de trabalho. Os lubrificantes dos motores são substituídos por agentes anticorrosivos e, em casos mais extremos, são removidos completamente para retornar ao fabricante. Se uma pausa for longa demais, algumas companhias provavelmente preferirão aposentar ou reciclar o avião a continuar pagando pelo armazenamento. Essa é uma das razões pelas quais estão aposentando os 747 ao redor do mundo.

Fonte: Hackaday