Com sua saída oficial da fase beta no início de fevereiro e reviews muito favoráveis tanto da imprensa especializada quanto dos primeiros usuários, o serviço GeForce NOW simplesmente explodiu. Milhões de usuários ao redor do mundo querem saber mais sobre esse 'Netflix' dos videogames, embora tecnicamente esteja mais alinhado ao conceito de 'hardware como serviço'. No entanto, vários desenvolvedores e distribuidores de alto perfil deram o polegar para baixo para o GeForce NOW e pediram a remoção de seus jogos da plataforma. A Nvidia diz que trabalha com eles para que esses títulos voltem, mas qual é o problema de fundo?
GeForce NOW. 'O Netflix dos videogames', 'Videogames como serviço', 'Hardware como serviço'. Para alguns usuários, o avanço de um futuro que eles não aceitam. Para outros, a possibilidade de escapar da eterna corrida armamentista do hardware e acessar títulos de alto perfil sem investir uma fortuna em componentes. De uma forma ou de outra, já está entre nós, e faz muito barulho. Um modo gratuito, acesso premium a um custo razoável, 90 dias extras gratuitos, problemas de latência mínimos... tudo parece indicar que a Nvidia acertou em cheio... mas nas últimas semanas ela se deparou com um (inesperada?) frente de oposição formada por vários desenvolvedores e distribuidores
Os problemas começaram assim que o serviço saiu da fase beta. Capcom, EA, Konami, Remedy, Rockstar e Square Enix fizeram parte dela, mas desapareceram depois de 4 de fevereiro. Uma semana depois, a Activision Blizzard se juntou à retirada, levando Overwatch, WoW, a série Call of Duty e outros títulos. A Bethesda não ficou para trás, e sua saída foi quase total, com a estranha exceção de Wolfenstein: Youngblood. E agora é a vez da 2K. A série NBA, os BioShock, Civilization VI, todos os Borderlands... até logo, e obrigado pelos peixes.
Seria injusto dizer que o panorama é apocalíptico porque o GeForce NOW oferece mais de 500 jogos neste momento, e outros 1.500 estão a caminho, mas é evidente que algo mais está acontecendo aqui, e os usuários não recebem a versão completa dos fatos. Motivos? O primeiro deles é o mais óbvio: dinheiro. Os desenvolvedores querem uma fatia extra do bolo do GeForce NOW, e seus jogos não voltarão até que a recebam.
Outras fontes sugerem um detalhe mais técnico: o GeForce NOW está hospedando os jogos para acelerar os tempos de instalação, algo que não seria visto com bons olhos. Finalmente, o fator conspiratório aponta para o Google. O Stadia é um deserto de sal em comparação com o GeForce NOW, mas Red Dead Redemption 2, os Tomb Raider, Borderlands 3, NBA 2K20, The Elder Scrolls Online, Doom e Doom Eternal (quando sair) estão lá. Se Mountain View pagou pela exclusividade... talvez a Nvidia precise igualar a oferta.
Infelizmente, todas essas manobras levam a um conflito inevitável entre desenvolvedores, distribuidores e jogadores. A Nvidia não pode ir à guerra porque não vende jogos, e sua melhor estratégia para o futuro é fazer esses desenvolvedores voltarem, mesmo que parcialmente. Cada vez que uma empresa pedir a remoção de seu conteúdo, a única opção para a Nvidia é atender a esse pedido e dizer 'continuaremos trabalhando'.
Como era de se esperar, as 'trocas' chegaram à Web. Os desenvolvedores reivindicam o direito de determinar em quais plataformas seus jogos podem estar, seguindo acordos de distribuição anteriores. Do outro lado, os usuários reivindicam o direito de jogar jogos que já compraram, e que a diferença entre usar hardware local ou remoto é irrelevante, já que a plataforma principal não muda (é preciso vincular Steam ou outras lojas antes que o GeForce NOW possa instalar os jogos). A isso se soma o apoio de algumas empresas, como é o caso da Epic Games com seu CEO Tim Sweeney à frente, que confirmou seu apoio total ao GeForce NOW.
Isso significa que Fortnite não foi para lugar nenhum. Reconhecendo sua presença, a EA removeu todos os seus jogos... com a exceção de Apex Legends. A Ubisoft mantém suas principais franquias (Assassin's Creed, Far Cry, os jogos de Tom Clancy), assim como Valve, Warner, Bandai Namco (Dark Souls 1-3), Bungie (Destiny 2), Sega, e muitos outros. Em um mundo perfeito, GeForce NOW resolveria essas diferenças rapidamente para focar em expandir sua disponibilidade ao redor do globo. Neste mundo, bem... acho que vão demorar um pouco.
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