O diesel médio no Brasil ficou em R$ 6,97 por litro entre 6 e 12 de setembro de 2026. O movimento internacional que ajuda a explicar essa pressão não depende apenas do preço do petróleo bruto: quando faltam capacidade de refino, estoques e rotas de transporte para o combustível pronto, o diesel pode subir mesmo sem o petróleo atingir um recorde.
Nos Estados Unidos, o preço semanal do diesel chegou a US$ 6,285 por galão na semana de 14 de setembro de 2026. O valor é uma leitura semanal, não a média projetada para todo o ano: a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) prevê média anual de US$ 5,07 por galão em 2026 e de US$ 4,40 em 2027.
O gargalo está no combustível refinado
Petróleo bruto não sai do poço pronto para abastecer um caminhão. Ele precisa passar por uma refinaria, que transforma a matéria-prima em produtos como diesel, gasolina e combustível de aviação. Se essa etapa opera perto do limite, qualquer parada, manutenção sazonal ou interrupção logística reduz a folga do mercado.
Patrick De Haan, da GasBuddy, afirmou que as refinarias americanas operavam em aproximadamente 98% da capacidade, deixando pouco espaço imediato para aumentar a produção. Mais petróleo bruto, sozinho, não resolve uma restrição localizada na transformação e na distribuição dos derivados.
O que é o crack spread?
O crack spread é a margem entre o valor dos combustíveis refinados e o custo do petróleo usado para produzi-los. Não é o preço final pago no posto, mas ajuda a mostrar quanto o mercado está pagando pela capacidade de transformar o petróleo em derivados.
Quando o diesel fica escasso e a capacidade de refino está apertada, essa margem se amplia. A EIA estima que o crack spread médio do diesel fique acima de US$ 2 por galão entre agosto e novembro de 2026, antes de recuar até meados de 2027 em seu cenário-base.
A diferença entre diesel e petróleo aparece também nos contratos futuros. Até agosto de 2026, os futuros de diesel haviam subido muito mais em relação ao nível de 1º de janeiro do que os futuros do WTI, referência para o petróleo americano.
Diesel e petróleo: duas referências diferentes
| Referência | Base | Nível ao fim do período | Período |
| Futuros de diesel | 1º de janeiro de 2026 = 100 | 102% | Janeiro a agosto de 2026 |
| Futuros de petróleo WTI | 1º de janeiro de 2026 = 100 | 48% | Janeiro a agosto de 2026 |
A comparação não transforma esses índices em preços de bomba. Ela mostra a divergência entre o derivado pronto e sua matéria-prima no mercado futuro.
Estoques baixos deixam pouca margem para erro
A EIA prevê que os estoques americanos de destilados caiam abaixo de 100 milhões de barris em setembro de 2026. A projeção também os coloca abaixo do menor nível do período de 2021 a 2025 até o fim de 2026 e durante a maior parte de 2027.
A pressão vem acompanhada de uma combinação pouco confortável: manutenção sazonal de refinarias, demanda agrícola mais alta e exportações fortes. As exportações líquidas americanas de destilados ficaram próximas ou no maior nível dos cinco anos anteriores em todos os meses de 2026 desde fevereiro.
| Período | Medida | Valor | Condição |
| Semana de 14 de setembro de 2026 | Preço semanal americano do diesel | US$ 6,285 por galão | Leitura semanal de varejo |
| Ano de 2026 | Preço médio anual americano do diesel | US$ 5,07 por galão | Projeção da EIA |
| Ano de 2027 | Preço médio anual americano do diesel | US$ 4,40 por galão | Projeção condicionada à melhora da logística e das exportações de derivados |
Esse contraste explica por que um preço semanal pode superar uma previsão anual sem que exista uma contradição: são períodos e medidas diferentes. A média de 2026 reúne meses ainda não encerrados, enquanto o valor de setembro captura um momento de maior aperto.
Por que a pressão chega a quem não dirige um veículo a diesel
O diesel move caminhões, máquinas agrícolas e equipamentos pesados. Quando o combustível encarece, o impacto aparece primeiro no frete e pode chegar a alimentos, obras, entregas e produtos fabricados.
Um exemplo nos Estados Unidos ilustra a velocidade dessa transferência: o custo informado para transportar uma carga de produtos agrícolas passou de US$ 5.000 um ano antes para US$ 9.000 nos sete dias anteriores a 16 de setembro de 2026. Na River City Produce, Nado Gonzalez explicou que a empresa precisava incorporar os custos ao resultado porque eles acabavam sendo repassados ao longo da cadeia.
O mecanismo é simples, mas não automático em todos os setores: quanto maior a dependência de transporte pesado e quanto menor a possibilidade de absorver a despesa, maior a pressão para reajustar preços.
O que pode aliviar o mercado
A previsão da EIA para 2027 depende da recuperação do tráfego de navios-tanque no Oriente Médio e das exportações de derivados das refinarias da região. Se esses fluxos melhorarem, a agência projeta recuo do preço médio americano do diesel para US$ 4,40 por galão.
Se a interrupção do transporte marítimo se prolongar, o cenário de preços tende a ser mais alto que essa projeção-base. Por isso, o próximo movimento do diesel depende menos de uma única cotação do petróleo e mais de três pontos concretos: quantas refinarias conseguem operar, quanto combustível permanece armazenado e como os derivados chegam aos mercados consumidores.