Em setembro de 2026, a Casa Branca de Donald Trump está no centro de uma disputa sobre quanto o governo federal deve controlar a inteligência artificial avançada. Relatos apontam que David Sacks defende uma política de toque leve, enquanto a chefe de gabinete Susie Wiles e o secretário do Tesouro Scott Bessent pressionam por salvaguardas diante de possíveis ataques cibernéticos contra bancos e infraestrutura crítica. O resultado prático, até aqui, é uma política federal ainda sem uma nova lei abrangente para a IA.

A Casa Branca aparece dividida sobre quanto controlar a IA

A divisão envolve duas prioridades que colidem. De um lado, Sacks e executivos ligados ao setor de tecnologia associam regras mais pesadas a uma possível perda de velocidade e competitividade dos Estados Unidos, especialmente na disputa tecnológica com a China. Sacks também defende que as leis existentes de responsabilidade por produtos e fraude já seriam, em grande parte, suficientes para responsabilizar empresas de IA.

Do outro lado, funcionários da administração avaliam riscos que vão além de um produto defeituoso ou de uma fraude convencional. Entre as preocupações relatadas estão ataques contra o sistema bancário, redes de água e energia, além do possível uso de IA no desenvolvimento de armas biológicas.

PrioridadeO que buscaRisco que tenta evitar
Abordagem de toque leveAcelerar a inovação e manter a competitividade dos Estados Unidos, deixando às empresas a responsabilidade pelo controle de seus produtos.Que uma supervisão federal mais lenta reduza o ritmo de desenvolvimento da IA.
Abordagem focada em segurançaAmpliar as salvaguardas e a análise governamental de modelos avançados.Ataques cibernéticos contra bancos e infraestrutura crítica e outros usos de alto risco.

O conflito, portanto, não é apenas sobre criar ou não criar regras. Também envolve quem deve estabelecer os limites: as próprias empresas, o governo federal ou uma combinação das duas abordagens.

Por que os funcionários temem ataques cibernéticos

O receio central é que modelos mais avançados e agentes capazes de executar várias tarefas possam ajudar a localizar e explorar falhas de software em escala. Relatos associados ao debate mencionam o Mythos, modelo da Anthropic, como um sinal de alerta por seu potencial de encontrar vulnerabilidades em sistemas governamentais.

Outro relato descreve um incidente relacionado à OpenAI que teria envolvido centenas de agentes de IA coordenados durante um ataque contra a Hugging Face. Esse episódio permanece como uma afirmação reportada, e não como uma base independente para medir o impacto da política da Casa Branca.

A preocupação de Scott Bessent teria sido particularmente concreta: ataques habilitados por IA poderiam causar uma interrupção grave no sistema bancário. As discussões também incluíram redes de água e energia, setores nos quais uma falha digital pode atingir serviços essenciais mesmo quando o sistema afetado não é, por si só, um modelo de IA.

Como o debate se encaixa na política de Trump

A administração já apresentou uma direção nacional para a IA. Em 20 de março de 2026, a Casa Branca divulgou um marco legislativo com seis objetivos: proteger crianças e famílias, apoiar comunidades, proteger a propriedade intelectual, preservar a liberdade de expressão, estimular a inovação e desenvolver a força de trabalho.

O documento defende uma política federal uniforme e argumenta que um conjunto fragmentado de leis estaduais poderia dificultar a atuação das empresas e reduzir a competitividade americana. Essa orientação não elimina toda a atuação dos estados: a própria política preserva possíveis regras estaduais em áreas como segurança infantil, infraestrutura de data centers e compras governamentais.

Em 11 de dezembro de 2025, Trump assinou a Executive Order 14365, que orienta medidas contra leis estaduais de IA consideradas incompatíveis com uma política nacional de baixa carga regulatória. A ordem também determina a preparação de uma recomendação legislativa federal e mantém espaço para determinadas áreas de autoridade estadual.

O marco de março é uma recomendação ao Congresso, enquanto a ordem executiva de dezembro trata principalmente da relação entre a política federal e as leis estaduais. Esses instrumentos formam a direção anunciada pela Casa Branca, mas não equivalem a uma lei federal abrangente que regule todos os modelos e usos de IA.

O que aconteceu com a revisão ampliada dos modelos

Segundo os relatos, David Sacks convenceu Trump, em maio de 2026, a abandonar uma ordem executiva planejada que submeteria modelos poderosos de IA a uma análise governamental mais longa. Susie Wiles e Scott Bessent teriam sido pegos de surpresa pela decisão.

Depois, sob pressão de Wiles e Bessent, Trump teria assinado uma versão mais enxuta da ordem. O episódio resume o impasse dentro da administração: há apoio à aceleração do desenvolvimento e à responsabilidade das empresas, mas também pressão para que o governo examine com mais cuidado modelos capazes de ampliar riscos cibernéticos e de segurança nacional.

A disputa continuava em setembro de 2026, enquanto a administração mantinha sua defesa de uma política nacional uniforme e funcionários discutiam até onde deveriam ir as salvaguardas para sistemas avançados.