A automação dos armazéns da Amazon assume tarefas específicas de transporte e movimentação de produtos, enquanto funcionários continuam trabalhando nos postos. Em reportagem publicada em 12 de outubro de 2026, a Ars Technica informou que a empresa tinha mais de 1 milhão de robôs em seus armazéns — a maioria robôs móveis — e mais de 1,5 milhão de funcionários em tempo integral e parcial, segundo o relatório anual de 2025 da Amazon. Os braços robóticos são uma parcela bem menor da frota.A reportagem da Ars Technica
O que os robôs da Amazon fazem nos armazéns
Robôs móveis levam estruturas com estoque até os postos de trabalho; braços robóticos cuidam de tarefas específicas com pacotes e produtos. Scott Dresser, vice-presidente da Amazon Robotics, descreveu a frota de braços já instalada como estando na casa dos milhares. Em julho de 2026, o diretor financeiro Brian Olsavsky disse que a Amazon esperava mais que dobrar esse total ao longo daquele ano. A previsão se referia aos braços robóticos, não à frota inteira.
Os sistemas têm funções diferentes. Hercules e Titan transportam pods — estruturas móveis que guardam produtos — até as estações de trabalho. Robin separa pacotes; Cardinal coloca pacotes em carrinhos; Sparrow transfere produtos entre contêineres; e Vulcan usa visão computacional e sensores de força para pegar e guardar itens nos pods. Vulcan começou a operar em 2025 em centros de distribuição de Spokane, nos Estados Unidos, e Hamburgo, na Alemanha; uma expansão de seu uso era esperada para 2027, segundo Dresser.
A Amazon também relaciona automação a novas funções especializadas. A empresa afirma que centros de distribuição com robótica avançada costumam empregar 30% mais pessoas em confiabilidade, manutenção e engenharia. Separadamente, Dresser disse que o número de técnicos de manutenção de robôs na rede cresceu mais de 30%. São indicadores diferentes, e nenhum deles, por si só, informa o saldo total de empregos da empresa.
Como pessoas e robôs trabalham juntos em um posto
A reportagem da FOX5 Las Vegas sobre o centro VGT1, em Las Vegas, mostra unidades móveis levando pods de estoque até os funcionários. A emissora informou que cerca de 2.400 pessoas trabalhavam naquele centro. Um funcionário entrevistado disse que, com o trabalho chegando ao posto, ele precisava caminhar menos. É um retrato de uma instalação específica nos Estados Unidos, não uma medida de toda a rede da Amazon.
Na prática, o transporte automatizado não elimina as tarefas feitas na estação: ali, funcionários continuam envolvidos em atividades como guardar, retirar e embalar produtos. O trabalhador entrevistado pela FOX5 descreveu um benefício físico concreto — andar menos —, mas esse depoimento individual não representa a experiência de todos os funcionários.
O que o estudo encontrou sobre lesões
Um estudo publicado pela ILR Review em abril de 2025 comparou lesões em centros robotizados e centros tradicionais da Amazon. Conforme a Ars Technica, a análise usou dados históricos de mais de 150 armazéns, incluindo registros semanais de 2016 a 2019. Os resultados foram diferentes conforme o tipo de lesão:
| Tipo de lesão | Diferença em centros robotizados em relação aos tradicionais |
| Lesões graves | 40% menos |
| Lesões menos graves associadas a esforço repetitivo | 77% mais |
Os percentuais descrevem resultados do estudo naquele conjunto de dados histórico. Brian Greenwood, coautor da pesquisa, apontou o ritmo de trabalho como uma possível explicação para o aumento de lesões por esforço repetitivo; essa interpretação não estabelece que os robôs tenham causado os resultados. A Amazon, por sua vez, afirmou que, desde 2019, sua taxa global de incidentes registráveis melhorou 43% e a taxa de incidentes com afastamento melhorou 70%. Esses números da empresa abrangem sua operação global e não são uma comparação específica entre centros robotizados e tradicionais. A Ars Technica relata os resultados do estudo e a resposta da Amazon.
O que trabalhadores relatam sobre os turnos
Um trabalhador do sul da Califórnia relatou no Reddit que, após duas semanas, o trabalho de separação de produtos era administrável, mas os turnos noturnos de 10 horas causavam cansaço mental. A pessoa também descreveu dificuldade para conciliar o horário com um segundo emprego. É um relato individual sobre aquela rotina, não uma descrição geral das condições de trabalho na Amazon. Relato publicado no Reddit.
O que as projeções de contratação significam
Documentos internos descritos pelo The New York Times projetavam que a automação reduziria as necessidades de contratação da Amazon nos Estados Unidos em mais de 160 mil contratações até 2027 e em 600 mil até 2033. Os números são previsões sobre contratações futuras, não contagens de demissões já realizadas. A Amazon disse que os documentos refletiam a visão de um grupo interno, segundo a Ars Technica. A reportagem do The New York Times apresentou as projeções; a Ars Technica relata a resposta da Amazon.