O universo da computação não está livre de mistérios e controvérsias. Desde as viagens no tempo de John Titor até o programa SoftRAM que supostamente duplicava a memória, há muito o que explorar. No entanto, um dos casos mais extremos é o do Sistema de Codificação Digital Sloot. Seu criador, Romke Jan Bernhard Sloot, afirmou que com essa tecnologia seria possível guardar um filme completo em apenas 8 kilobytes, mas ele morreu 24 horas antes de assinar um contrato, e o código nunca foi encontrado….
As informações disponíveis indicam que Romke Jan Bernhard Sloot nasceu em 27 de agosto de 1945 em Groningen, nos Países Baixos. Depois de passar por uma escola técnica e trabalhar em uma estação de rádio, Sloot cumpriu o serviço militar obrigatório, estabeleceu-se em Utrecht com a família e trabalhou na Philips por um ano e meio.
Voltou a Groningen em 1978 para trabalhar em uma loja de áudio e vídeo e depois mudou-se para Nieuwegein (um município de Utrecht) com o objetivo de iniciar seu próprio negócio de conserto de TVs, aparelhos de som e outros equipamentos eletrônicos.
Em meados da década de 80, a atenção de Sloot voltou-se para os computadores domésticos, e ele desenvolveu a ideia de uma rede nacional de serviços de reparos chamada RepaBase (ou RepoBase, segundo outras fontes), com um banco de dados contendo manuais e detalhes técnicos.
Como sabemos, armazenar informações não era um processo rápido nem barato, e isso teria sido o estopim que o levou a criar o Sistema de Codificação Digital Sloot.
(Nota do redator: o vídeo é antigo, mas tem legendas em inglês.)
Sloot Digital Coding System: Mentira genial ou tecnologia perdida?
Um dos pontos mais discutidos sobre o Sloot Digital Coding System (SDCS) é se ele realmente usava compressão ou não. Afinal, armazenar um filme inteiro em apenas 8 kilobytes pulveriza o teorema de codificação de Shannon.
Roel Pieper, antigo CTO e diretor da Philips, explicou que o sistema não utilizava compressão, mas trabalhava de forma semelhante ao Adobe PostScript: tanto o emissor quanto o receptor sabem que tipo de dados podem ser transferidos, sem enviar esses dados. Em outras palavras, informação compartilhada.
Um bom exemplo disso está no formato PDF ao usar fontes. Se ambas as partes já têm uma cópia da fonte, tudo o que precisam transmitir é o código que a ativa, e não a fonte inteira, economizando espaço e largura de banda.
De certo ponto de vista, isso significa que o hipotético filme já está armazenado nos equipamentos de ambas as partes (ou deveria estar), mas isso contradiz uma das descrições do SDCS, guardando apenas os elementos básicos de qualquer filme, como cores e sons.
Além dessas diferenças, o Sistema de Codificação Digital Sloot desapareceu com seu criador, que faleceu de um infarto em 11 de julho de 1999, um dia antes de assinar um acordo junto a Pieper, que havia deixado a Philips dois meses antes para se unir a Sloot na criação de uma empresa chamada The Fifth Force.
Todos os planos comerciais teriam continuado mesmo com a morte de Sloot, mas uma peça essencial para fazer o sistema funcionar, um compilador armazenado em um disco flexível, se esfumou no ar, e o laboratório de Sloot (basicamente seu sótão) foi limpo completamente no dia seguinte à sua morte…