Sonhar com a cidade do futuro não é nada difícil. Na verdade, temos feito isso pelos últimos cinquenta anos, mas, apesar dos avanços tecnológicos, são os detalhes políticos e econômicos que nos afastam desse ideal. Toda cidade que imaginamos como inteligente também precisa de um transporte inteligente, e a Nissan vai muito além: visualiza uma relação estreita e eficiente entre cidade, casas, escritórios e carros elétricos.
Todos sabemos que a transição para as fontes renováveis de energia já começou. É claro que a indústria do petróleo não vai desaparecer da noite para o dia, e o lógico é assumir que ela dará briga por anos, já que ainda movimenta centenas de bilhões de dólares. Quando a Tesla liberou todas as suas patentes em junho de 2014, seu CEO Elon Musk disse que a verdadeira competição para os veículos elétricos estava nos carros convencionais. Sua existência também afeta outros desenvolvimentos, por exemplo, as próprias cidades em que vivemos. Boa parte da infraestrutura urbana é pensada para abrir espaço (muito espaço) para o carro que consome combustível comum. E agora... e se não fosse assim? Como seria uma integração maior entre carro e cidade, em que um veículo não é apenas um meio de transporte, mas também uma fonte de energia para a casa e o escritório? (Nota: legendas em espanhol disponíveis)
A cidade inteira como posto de gasolina
Esse é o conceito que a Nissan explorou junto com a Foster + Partners, em um vídeo chamado «La gasolinera del futuro». A questão é que... não há posto de gasolina no sentido tradicional da palavra: a cidade inteira é um posto de gasolina, com pontos de recarga sem fio, livres e gratuitos, que podem ser ocupados de modo autônomo durante a noite graças à direção independente dos carros. Durante o dia, e se necessário, os carros mudam de função e se transformam em fontes de energia que alimentam casas, escritórios e a rede em geral. As baterias LEAF recicladas, que já não têm utilidade nos veículos, viram um sistema de armazenamento doméstico, reduzindo o desperdício de energia e prolongando sua vida útil. Nem preciso dizer que essa nova automação dos carros traz uma rodada adicional de benefícios, como o que o MIT propõe neste pequeno curta:
A automação dos carros e o fim dos semáforos
Em resumo, ao ceder de forma efetiva o controle da direção, os carros interconectados ganham a capacidade de alterar dinamicamente sua velocidade e direção, arrancando pela raiz velhas ideias como interseções e semáforos. Lamentavelmente, a defesa constante do statu quo por parte de políticos ineptos e empresários afogados em ganância nos faz pensar que a visão da Nissan precisará de décadas inteiras para se tornar realidade, ou melhor, de uma mudança geracional completa. Espero que possamos ver isso.