Facebook

Uma enorme quantidade de especialistas em saúde mental nos advertiu sobre os efeitos nocivos das redes sociais, mas seus números continuam crescendo. Talvez o que seja necessário para entender melhor a situação é a palavra daqueles que estiveram anteriormente "do outro lado" e até mesmo defenderam seu desenvolvimento. No caso específico do Facebook, seu primeiro presidente Sean Parker admitiu que a rede social "explora uma vulnerabilidade na psicologia humana", e agora é a vez de Chamath Palihapitiya, ex-presidente do "crescimento de usuários", que compartilhou algumas expressões muito duras durante uma palestra pública em Stanford.

Há uma frase flutuando na Web que diz: "Apague o Facebook, vá para a academia, contrate um advogado". Os últimos dois elementos propõem ir à academia como "terapia" para solucionar muitos dos nossos conflitos pessoais e não se meter em problemas com a lei fazendo as coisas como se deve, mas a maioria fica estagnada na primeira parte, que é apagar a conta do Facebook. Por que continuamos entrando lá se isso nos faz tão mal? Como é possível que, apesar dos avisos, tenha mais de dois bilhões de usuários ativos? Logicamente, todos os que participam do Facebook (e que, de certa forma, têm sua fortuna lá) realizam uma defesa férrea da rede social, destacando em cada oportunidade seus aspectos positivos. No entanto, as opiniões mudam de forma drástica uma vez que abandonam essas fileiras.

(N. do E.: O que você procura está aos 21:21, ative as legendas)

No início de novembro foi Sean Parker, um dos fundadores originais do Napster e primeiro presidente do Facebook, quem questionou os efeitos da rede social. Falou sobre "consequências indesejadas" no desenvolvimento de uma plataforma com mais de dois bilhões de usuários, sobre as mudanças nas relações entre as pessoas e a sociedade em geral, sobre sua interferência na produtividade e sobre sua influência sobre os mais pequenos, acrescentando: "Só Deus sabe o que está fazendo no cérebro dos nossos filhos". Pouco tempo depois, o ex-vice-presidente do "crescimento de usuários" no Facebook Chamath Palihapitiya compartilhou críticas similares durante uma palestra em Stanford. Palihapitiya disse que "criamos ferramentas que estão destruindo o tecido social", e que tudo se deve a um elemento também mencionado por Parker: o "ciclo de validação social". Cada curtida, cada comentário, cada troca supostamente positiva é um toque de dopamina que o usuário recebe… e quer mais.

Mas Palihapitiya não terminou aí. Reconheceu sentir "uma culpa tremenda" e que, no fundo, todos os envolvidos sabiam que algo ruim podia acontecer. Também acrescentou que se trata de "um problema global" (a política estadunidense e os anúncios russos são apenas uma parte), e rematou: "Seus comportamentos… você não percebe, mas está sendo programado". A solução dele? Não usar mais essas ferramentas. Palihapitiya as abandonou anos atrás, e seus filhos têm proibido o acesso.

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