WASD: de onde veio e por que começamos a usá-lo
Origem do WASD

Em várias ocasiões mencionamos que a combinação teclado/mouse oferece uma experiência superior na hora de jogar, mas essa ideia não surgiu do nada. Como muitas outras coisas no mundo dos videogames, a combinação passou por um longo processo evolutivo que começou com uma posição mais predominante do teclado e alcançou sua forma definitiva no «WASD+mouse». O último vídeo publicado por Nostalgia Nerd no YouTube nos leva a explorar as origens do WASD, e inclui alguns detalhes que honestamente não esperávamos ver...

Muitos títulos modernos incorporaram e melhoraram o suporte para gamepads, a tal ponto que os desenvolvedores diretamente recomendam seu uso em vez do teclado e do mouse. Alguns jogos se beneficiam muito dessa mudança (os chamados «Metroidvania» vêm à mente imediatamente), mas outros não fazem mais do que expor sua «essência de port» vinda dos consoles.

No entanto, quando falamos de FPS, o WASD é amo e senhor, acompanhado pelo controle do mouse com a mão direita. Obviamente, isso não se estende a todos os jogadores (pessoalmente, sou canhoto e prefiro o IJKL como substituto), mas a pergunta que nos reúne aqui hoje é «por quê». Nostalgia Nerd no YouTube nos convida a buscar a resposta, e começa com uma verdade quase esquecida no tempo: Antes usávamos as setas.

Por que os gamers mudaram para o WASD?

Assim é: tanto Wolfenstein 3D quanto Doom tinham suporte para mouse, mas a grande maioria dos usuários usava as setas. Na verdade, um dos primeiros exemplos de WASD+mouse (para não dizer «o» primeiro) nem pertence ao mundo dos PCs: o jogo Dark Castle, do Apple Mac, remonta ao ano de 1986, e o jogador devia usar WASD para deslocar o personagem, além de mover o mouse para modificar a posição de seu braço e arremessar projéteis.

WASD: de onde veio e por que começamos a usá-lo
Dark Castle, Macintosh, 1986. Seus gráficos e animações eram excelentes. O resto do jogo... nem tanto.

Outros sistemas como o ZX Spectrum ou o Commodore 64 popularizaram combinações alternativas (QAOP ou QWPL), mas o IBM PC e seus clones priorizaram as setas. Observando mais de perto o Wolfenstein 3D, podemos comprovar que seus comandos de fábrica concentram a ação sobre o setor direito do teclado, perto das setas. A razão era lógica: os equipamentos daquela época não vinham com mouse, e ainda era necessário carregar um driver que consumia memória convencional.

Doom herdou boa parte dessa visão; no entanto, o próprio John Romero confirmou que a forma ótima de jogar é somando o mouse, aproveitando o strafe no segundo botão.

WASD: de onde veio e por que começamos a usá-lo
Os bindings originais do Wolfenstein 3D. Alt e Ctrl funcionavam em ambos os extremos, mas o running era «Right Shift», junto às setas.

A verdadeira explosão do WASD chegou com o Quake, e a incorporação do suporte mouselook... algo que também se viu primeiro no Mac (Marathon, Bungie, 1994). O mouselook devia ser habilitado manualmente no Quake com o comando +MLOOK, mas uma atualização posterior o tornou padrão. A cena multiplayer em torno do Quake deu origem ao surgimento dos primeiros mestres... e ao primeiro gamer profissional: Dennis Fong, muito mais conhecido como «Thresh». Sim, o mesmo Thresh que ganhou a Ferrari 328 de John Carmack no torneio Red Annihilation de 1997.

O mundo gamer se desesperava para saber os segredos de Thresh, e o mais acessível de todos foi seu «redescobrimento» do WASD+mouse. Com essa combinação, o jogador podia trocar de armas mais rápido, chegar à barra de espaço com o polegar, e usar Shift ou Ctrl com o mindinho. O WASD se tornou tão popular que Quake 2 o incluiu como um preset (thresh.cfg), e a Valve o transformou em padrão para Half-Life. O resto é história.