Muitos textos históricos descrevem a Cidade Murada de Kowloon como uma «anomalia», um problema residual do passado com um século sobre os ombros. O processo de despejo se estendeu por seis anos... mas felizmente ficaram imagens, pequenas janelas que nos lembram como se vivia e trabalhava naquele lugar. Matthew Hung publicou um sólido ensaio em 2013, no entanto, foram os fotógrafos Greg Girard e Ian Lambot que capturaram a cidade murada antes de seu desaparecimento...

A Cidade Murada de Kowloon, como você nunca a viu
A Cidade Murada de Kowloon, como você nunca a viu

O paradoxo político

Um aspecto ignorado da Cidade Murada de Kowloon é que ela rapidamente se tornou uma contradição política. Tal como indica Hung em seu ensaio, nenhuma das partes estava disposta a ceder o território, mas ao mesmo tempo não desejavam assumir o controle. Cada vez que o governo colonial tentava despejar a cidade (com motins e resistência incluídos), os chineses ficavam do lado dos residentes, um vai e vem que se estendeu até dezembro de 1984, quando a Declaração Conjunta Sino-Britânica foi assinada.

A Cidade Murada de Kowloon, como você nunca a viu
A rua Tung Tau Tsen (Girard, 1987)
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A esquina sudoeste da cidade (Girard, 1987)
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Crianças brincando nos terraços da cidade (Girard, 1989)
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Outra captura do terraço (Girard, 1989)

O fim anunciado

Com esse acordo, o destino da cidade ficou selado. Foram distribuídas indenizações mínimas (que em certos casos não foram aceitas, dando lugar a despejos forçados), e alguns elementos receberam proteção por seu valor histórico, mas o resto acabou se tornando parte de 150.000 metros cúbicos de entulho.

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A rua Lung Chun (Lambot, 1989)
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O consultório de um dentista (Lambot, 1989)
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Meninas no terraço (Girard)
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Uma loja vendendo almôndegas de peixe (Girard)

A última fase

Greg Girard e Ian Lambot entraram na cidade em sua «última fase». As drogas, a prostituição e as apostas já haviam se transferido para Hong Kong, e o único que restava, nas palavras do próprio Girard, era «o espaço anárquico»: médicos sem licença, produção de alimentos sem padrões de saúde, sons de metal, máquinas, rádios e televisores, cheiros penetrantes e quase insuportáveis, uma umidade permanente... através de todo esse caos, os residentes encontraram um caminho, uma maneira de sobreviver.

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Um avião da Cathay Pacific sobre a cidade (Girard, 1989)
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Fábrica de macarrão e residência (Girard, 1989)
A Cidade Murada de Kowloon, como você nunca a viu
O interior de um apartamento (Girard, 1989)
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Outro apartamento, desde seu interior (Girard, 1989)
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Uma das lojas dentro da cidade (Girard, 1989)

Girard e Lambot compilaram este extraordinário trabalho no livro City of Darkness: Life in Kowloon Walled City, disponível online.

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Uma rua da zona oeste (Girard, 1990)
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Um homem se lavando (Girard, 1989)
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Outra captura do terraço, com o Aeroporto Kai Tak ao fundo (Girard, 1990)
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O serviço de correio em ação (Girard, 1987)
A Cidade Murada de Kowloon, como você nunca a viu
Processando carne de porco (Girard, 1990)

Fontes: MasContext, TheFace, City of Darkness