Sem dúvida alguma, a astrologia é uma das pseudociências mais populares do mundo. Procure em qualquer jornal local ou site de informações gerais e, muito provavelmente, encontrará um horóscopo cheio de recomendações ou avisos para cada signo. No entanto, muitas de suas previsões parecem únicas e especialmente direcionadas ao leitor. A razão se esconde no chamado Efeito Forer, a tendência de interpretar certas descrições genéricas e imprecisas como exclusivas e pessoais.
Uma busca rápida no horóscopo de hoje me apresenta esta sugestão: «Faça o possível para fortalecer os laços familiares. Uma simples ligação telefônica com seus parentes o manterá perto deles». Talvez você se pergunte a qual signo pertence... mas será que importa? A recomendação parece suficientemente pessoal para funcionar sob qualquer signo.
Outro exemplo: «Você deve tomar já essa decisão que vem adiando há dias.» Qualquer um a esta altura gritaria «COMO VOCÊ SABEEEEE?!»... e essa é a chave: «Qualquer um» se sentiria identificado com algo assim. O que está acontecendo? Para encontrar uma explicação, precisamos viajar até 1948, ano em que o psicólogo Bertram Forer realizou um «teste de personalidade» com 39 de seus estudantes. Mais tarde, Forer entregou a cada um o resultado do teste:
(Nota do redator: A tradução é de ampla circulação na web.)
O Efeito Forer-Barnum em ação
«Tienes la necesidad de que otras personas te aprecien y admiren, y sin embargo eres crítico contigo mismo. Aunque tienes algunas debilidades en tu personalidad, generalmente eres capaz de compensarlas. Tienes una considerable capacidad sin usar que no has aprovechado. Tiendes a ser disciplinado y controlado por el exterior pero preocupado e inseguro por dentro. A veces tienes serias dudas sobre si has obrado bien o tomado las decisiones correctas. Prefieres una cierta cantidad de cambios y variedad y te sientes defraudado cuando te ves rodeado de restricciones y limitaciones. También estás orgulloso de ser un pensador independiente; y de no aceptar las afirmaciones de los otros sin pruebas suficientes. Pero encuentras poco sabio el ser muy franco en revelarte a los otros. A veces eres extrovertido, afable, y sociable, mientras que otras veces eres introvertido, precavido y reservado. Algunas de tus aspiraciones tienden a ser bastante poco realistas.»
Forer pediu aos participantes uma nota para seu resultado, aplicando uma escala de 0 (muito ruim) a 5 (excelente). A média de seus alunos foi superior a 4... mas Forer não tardou em revelar a verdade: ele havia dado exatamente o mesmo resultado a todos os seus alunos. O texto não passava de uma mistura de frases extraídas de um livro de astrologia, tão genéricas quanto se possa imaginar. No entanto, os alunos de Forer se sentiram muito identificados.
Ao repetir o estudo, surgem dois fatores fundamentais: O primeiro é que o conteúdo expresso deve transmitir importância, com a relação correta entre feedback positivo e feedback negativo. O chamado Princípio de Pollyanna (nome derivado do romance de Eleanor H. Porter) sugere que o público tende a lembrar com mais frequência das palavras positivas do que das negativas; portanto, o efeito Forer não faria mais do que confirmar (ou, por que não, «explotar») esse princípio.
O segundo fator é a autoridade, a honestidade ou o carisma da pessoa que compartilha esse feedback. O Efeito Forer também é conhecido como Efeito Barnum, ligado a P.T. Barnum (já falamos sobre ele no passado), que não hesitava em enganar ou usar truques para promover seus espetáculos. A informação disponível indica que o Efeito Forer é universal, mas não infalível: o viés de autosserviço (assumir o crédito pelos sucessos e rejeitar qualquer responsabilidade nos fracassos) seria suficiente para cancelar o Efeito Forer.
Acesse o estudo original (PDF): Clique aqui
Fonte: El Busto de Palas