O gigante azul já trabalha há mais de meia década na chamada “memória de mudança de fase” ou simplesmente PCM. O grande objetivo é criar uma memória capaz de igualar o desempenho, a durabilidade e o custo de opções como a RAM tradicional e a memória Flash. Um dos inconvenientes mais importantes nos módulos PCM é o seu limite no armazenamento de bits por célula, mas a IBM anunciou que a sua nova geração pode guardar três bits por célula e resiste a pelo menos dez milhões de ciclos de escrita.
Do ponto de vista do consumidor, é lógico concluir que alguns desenvolvimentos são diretamente frustrantes. Um grande exemplo é o da realidade virtual: já está entre nós, mas ninguém nega que demorou muito para ser concretizada, talvez demais. Quando os avanços se “afastam” de certa forma do usuário e são introduzidos cada vez mais em computadores e dispositivos móveis, torna-se ainda mais complicado apreciar seus potenciais benefícios. Todos queremos componentes mais potentes, resistentes e econômicos, porém o caminho é muito longo e, em mais de uma ocasião, nunca saem do laboratório.
Vejamos o caso da memória PCM. A Micron anunciou a primeira solução comercial em julho de 2012, apenas para retirá-la do mercado 18 meses depois, e unir forças com a Intel no desenvolvimento do 3D XPoint agora chamado Optane. O único grande player que ainda parece interessado em PCM é a IBM, e sua nova conquista pode colocar um pouco de pressão em seus rivais diretos. Em termos simples, a IBM agora pode armazenar um máximo de três bits por célula PCM. Como se trata de um processo térmico, as dificuldades para guardar mais de um bit são consideráveis, mas a IBM alcançou sua meta modificando a reação dos cristais sob altas temperaturas. Com esse aumento na densidade, o número um em pesquisa de memórias não voláteis da IBM, Haris Pozidis, indicou que a tecnologia PCM terá um custo menor do que a memória DRAM, e mais próximo da memória Flash.
A primeira ideia que a IBM propõe para o uso da memória PCM é o armazenamento completo dos sistemas operacionais em dispositivos móveis, o que melhoraria em boa medida sua capacidade de resposta. Finalmente, o novo módulo PCM da IBM resiste a pelo menos dez milhões de ciclos de escrita, algo impressionante frente aos 3.000 ciclos que vemos nas memórias Flash mais baratas. Bem, já sabemos como. A grande pergunta é: quando.