Busque um mapamúndi. Abra o Google Maps se não tiver um à mão. É um design comum, e você conhece bem seus principais detalhes. A Groenlândia é tão grande quanto a África, e o tamanho do Alasca é semelhante ao do Brasil, certo? Não, ambas afirmações são falsas. O que você está vendo é o efeito da projeção de Mercator, criada pelo cartógrafo Gerardus Mercator em 1569. A projeção de Mercator carrega o problema de deformar a massa continental à medida que se aproxima dos polos, criando alguns erros bastante chamativos...
O problema da projeção de Mercator
A reprodução de objetos tridimensionais em um plano bidimensional nunca fica livre de inconvenientes, mas isso vai muito além. Respondendo à dúvida anterior, o certo é que o Brasil é quase cinco vezes maior que o Alasca, e a Groenlândia possui uma área 14 vezes menor que a da África. Outra forma muito útil de detectar e visualizar as distorções na projeção de Mercator é aplicando a chamada indicatriz de Tissot, apresentada pelo cartógrafo francês Nicolas Auguste Tissot em 1859 e 1871.
Por que ainda usamos Mercator?
Então, por que usamos a Mercator se ela é tão imprecisa? Se a projeção tem dificuldades para preservar o tamanho, ela faz um bom trabalho ao preservar direções (afinal, esse era o objetivo de Gerardus), o que é muito útil na navegação. No entanto, a prevalência da Mercator como "o" mapa tem sido centro de múltiplas discussões e controvérsias ao longo dos anos. Quase todas as novas projeções foram apresentadas como "o substituto definitivo" para a Mercator, mas os especialistas nunca chegaram a um acordo, e o astrofísico John Quincy Stewart (1894-1972) comparou a busca pela projeção perfeita com "tentar arredondar pi".
Outras projeções
Que outras projeções existem por aí? Por onde começamos? Uma das mais reconhecidas é a projeção Robinson, adotada pela National Geographic Society em 1988 como substituta da projeção Van der Grinten. Agora, essa mudança durou apenas dez anos, porque em 1998 a sociedade decidiu favorecer a projeção de Winkel-Tripel. A projeção Dymaxion parece feita por alguém muito irritado e com uma tesoura na mão, a "Borboleta de Waterman" é quase uma folha extraída do teste de Rorschach, e a projeção de Gall-Peters semeou o caos com sua ideia de "imperialismo cartográfico". Nem mesmo xkcd resistiu.