Hoje, encontrar uma rede WiFi gratuita não é tão difícil. Praças, shoppings, cafeterias, restaurantes de fast food... sempre há uma conexão disponível. Mas em 1998, a história era bem diferente. Pouquíssimas pessoas sabiam o que era a "Internet" ou a "Web", mas o Burger King decidiu se adiantar ao futuro com uma aposta ousada: instalar vários PCs em sua unidade na Broadway para oferecer acesso aos clientes.
Os cibercafés geram muita nostalgia. Ainda existem regiões que dependem deles, como os Pisonets de Manila, mas em geral, falar neles nos transporta a uma época de monitores CRT, cheiro de tabaco, ratos e teclados com vida própria, playlists infinitas no Winamp, longas sessões noturnas, amores digitais e muito mais.
Mas tudo isso começou em algum lugar. Muitas setas apontam para o Cyberia, o primeiro cibercafé de Londres, que abriu em setembro de 1994. Outras fontes dizem que o The Binary Café (o primeiro do Canadá) começou em junho do mesmo ano, e para encontrar o primeiro 'proto-ciber' é preciso explorar os 'PC bang' da Coreia do Sul. No entanto, em julho de 1998, os cibercafés encontraram um aliado inusitado: o Burger King.
Um Whopper e 20 minutos: internet grátis do Burger King em 1998
Algumas imagens na web e um artigo arquivado do New York Times confirmam que Peter Allen Abramson, dono do Burger King localizado no número 182 da Broadway, em Nova York, decidiu instalar vinte computadores e conceder 20 minutos de acesso com uma compra mínima de 4,99 dólares (ou 3,29 nos horários de café da manhã). Cheryl Mitchell, porta-voz do Burger King e da National Franchisee Association, acrescentou que essa unidade era a primeira de toda a rede a fazer algo assim, e o primeiro espaço de 'ciber-hambúrgueres'.
O sistema funcionava com um único servidor, e cada terminal, todos Compaq (provavelmente modelos DeskPro EN com frente especial), usavam processadores Intel Pentium II de 266 MHz e 32 MB de RAM. Quanto à velocidade do link, o artigo menciona uma linha T1 de 1,5 megabits (em 1998, era um relâmpago). Obviamente, o sistema também tinha controle de tráfego: nada de apostas e nada de sexo.
Ninguém parece saber quanto tempo durou essa iniciativa, e aquele Burger King teria fechado durante a pandemia... mas algo novo e diferente começou ali em 1998, sem dúvida.
Fontes: The New York Times, Vintage Everyday