A ideia de vender vinho em latas não é nova. De fato, a indústria fez a primeira tentativa há 90 anos, e desde então vem tentando resolver seus desafios mais importantes. Um deles é o cheiro de ovo podre que afeta muitas marcas, e depois de uma longa lista de hipóteses, uma equipe de pesquisadores do Departamento de Ciências da Alimentação da Universidade Cornell finalmente acertou em cheio

Resolvem o mistério do cheiro de ovo podre nas latas de vinho
Latas de vinho

A história nos diz que as vinícolas americanas tentaram comercializar o vinho enlatado em 1936, buscando repetir o sucesso obtido pela cerveja no ano anterior. No entanto, o vinho se mostrou um produto muito mais instável e sensível às variáveis do seu envasamento. As latas de alumínio percorreram um longo caminho para se tornar a maravilha da engenharia que são hoje, mas sua aliança moderna com o vinho está cheia de imperfeições. A mais importante? O cheiro de ovo podre.

Por que o vinho em lata tem cheiro de ovo podre?

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Algumas amostras levaram meses para serem processadas...

O professor Gavin Sacks do Departamento de Ciências da Alimentação da Universidade Cornell foi contatado pelas vinícolas alguns anos atrás, que explicaram suas dificuldades na hora de enlatar vinho: Vazamentos, corrosão e ovos podres. Apesar de seguirem todas as recomendações dos fabricantes de latas, o vinho sempre apresentou resistência. A estratégia foi identificar os componentes responsáveis e determinar por que isso acontece apenas com vinhos (a Coca-Cola está há décadas em latas de alumínio e nunca registrou incidentes desse tipo...).

A professora Julie Goddard se juntou à pesquisa, incorporando sua experiência em ciência dos materiais e embalagem. O processo foi lento, levando meses para avaliar a condição de algumas amostras, enquanto outras foram "aceleradas" em ambientes mais hostis. Em todos os casos chegaram à mesma conclusão: O dióxido de enxofre (SO2), utilizado pelas vinícolas como antioxidante e antimicrobiano, pode atravessar a camada plástica interna das latas e interagir com o alumínio. Isso produz sulfeto de hidrogênio (H2S), muito reconhecido pelo seu cheiro de podre (já tive experiências no passado, e você NÃO quer esse cheiro na sua casa).

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O mercado já é enorme, e eliminar esse detalhe não faria nada além de acelerar seu crescimento

As vinícolas utilizam entre 0,5 e 1 parte por milhão, mas o estudo sugere que qualquer valor acima de 0,5 aumenta a presença de sulfeto de hidrogênio e o cheiro de ovo podre após 4-8 meses de armazenamento. As vinícolas deveriam mirar o limite mais baixo, mas isso as obriga a entrar em um jogo de equilíbrio, já que aumentaria (levemente) o risco de oxidação. Aumentar a espessura da camada interna também não é uma solução mágica, pois a interação com o líquido não desaparece, a lata fica mais cara, e perde pontos em matéria ambiental (esse plástico é queimado ao reciclar o alumínio).

O que vem a seguir? Avançar na busca por protetores alternativos e otimizar o vínculo entre produção e enlatamento para que o cheiro de podre no vinho finalmente seja coisa do passado.

Acesse o estudo: Clique aqui

Fonte: Phys.org