Os símbolos de risco e perigo iminente precisam comunicar sua mensagem de forma inequívoca e contundente. Mas com o passar dos anos, o sentido de alguns logotipos ou padrões pode mudar completamente. É isso que o símbolo de risco biológico ou biohazard tem tentado combater desde o início. Sua aparência é chocante e agressiva, mas como se chegou a ela em primeiro lugar?
Há alguns anos, falamos sobre o depósito de resíduos nucleares de Onkalo, na Finlândia. Além de manipular e armazenar material perigoso, os responsáveis pelo projeto devem enfrentar outro desafio: a comunicação. O depósito aceitará resíduos por cerca de cem anos e depois será selado. Como advertir as gerações futuras sobre o risco presente ali?
Não podemos usar o símbolo padrão para radiação ionizante? Na verdade... não. Nós sabemos o significado desse símbolo, mas é muito provável que seja mal interpretado no futuro. Não é difícil imaginar um arqueólogo daqui a vinte mil anos concluindo que o símbolo representava um culto ao Sol ou algo parecido. Nenhum dos símbolos de risco escapa desse problema, mas alguns o reconhecem mais do que outros. Um deles é o símbolo de risco biológico. Biohazard.
Nota do editor: legendas em espanhol.
A origem do símbolo Biohazard
O engenheiro de saúde ambiental Charles Baldwin participou do desenvolvimento do símbolo de biohazard iniciado pela Dow Chemical Company em 1966. Em uma entrevista para a revista do New York Times, Baldwin explicou que seu trabalho era projetar sistemas de contenção para o Instituto do Câncer dos NIH (National Institutes of Health).
A falta de padrões era evidente, e cada laboratório utilizava seus próprios símbolos de advertência. Baldwin uniu forças com o departamento de marketing da Dow Chemical e compartilhou uma série de parâmetros: deveria ser único, suficientemente impactante para ser lembrado com facilidade, algo «memorável mas sem sentido», para educar o público sobre seu significado. Também precisava ser simétrico, fácil de estêncil e aceitável em diferentes grupos étnicos.
«Memorável mas sem sentido»
A primeira fase do estudo combinou meia dúzia de símbolos originais com outros muito famosos, como a estrela da Texaco, a Cruz Vermelha e a suástica, e os participantes foram convidados a adivinhar seu significado. O símbolo de biohazard obteve o menor número de acertos. Uma semana depois, essa mesma meia dúzia de símbolos foi combinada com outros 36, e os participantes tiveram que indicar qual lembravam melhor. O símbolo de biohazard ficou em primeiro lugar. Memorável, e sem sentido.
Baldwin apresentou o símbolo à comunidade científica com um artigo na Science, e quase imediatamente recebeu luz verde. Os CDC (Centers for Disease Control), OSHA (Occupational Safety and Health Administration) e os já mencionados NIH não demoraram a adotar o novo símbolo. Atualmente, o símbolo de biohazard cumpre perfeitamente seu objetivo (além de alguns usos alternativos que não agradaram muito a Baldwin, como a moda), mas a verdadeira pergunta é: resistirá ao passar do tempo?
Fonte: Vox no YouTube