Em 22 de outubro de 2026, o governo do Reino Unido publicou um livro branco com propostas para proteger cabos de telecomunicações e outras infraestruturas submarinas. O texto propõe novos crimes e penas, deveres de segurança para provedores de cabos, poderes de intervenção por segurança nacional e regras para tecnologias de sensoriamento em fibra óptica. As medidas estão em consulta pública, não em vigor. Leia o livro branco e os detalhes da consulta.

O que o governo britânico propõe

O regime penal proposto abrangeria cabos submarinos de telecomunicações, interconectores elétricos, dutos e a infraestrutura necessária para seu funcionamento. O novo crime de comprometimento da segurança poderia incluir interferência física ou eletrônica, ataques cibernéticos e certas ações preparatórias. O governo afirma que a proposta também pretende alcançar o mapeamento ou levantamento de uma infraestrutura como preparação para um ataque posterior.

As penas máximas variariam conforme a conduta. A proposta também prevê multas sem limite máximo para todas as categorias.

Conduta previstaPena máxima de prisãoMulta proposta
Intencional14 anosSem limite máximo
Temerária10 anosSem limite máximo
Negligência grave2 anosSem limite máximo

Para os provedores de infraestrutura submarina de telecomunicações, o governo propõe deveres de identificar e reduzir riscos, preparar respostas a incidentes, recuperar os serviços e comunicar comprometimentos à administração e ao órgão regulador. As empresas também teriam de informar usuários diretamente afetados sobre riscos significativos.

Outra medida permitiria ao secretário de Estado exigir que provedores de cabos ou de serviços de reparo tomassem, ou deixassem de tomar, ações específicas em situações de segurança nacional, se a intervenção fosse necessária e proporcional. Para tecnologias de sensoriamento instaladas em fibras ópticas submarinas, o governo propõe uma triagem prévia das implantações e requisitos básicos de segurança. Em casos específicos, poderia impor condições ou proibir uma implantação.

O que a análise de trajetos relatou

Em 21 de outubro de 2026, o The Telegraph relatou que sua análise de quatro anos e meio de dados de localização do Global Fishing Watch identificou 17 embarcações pesqueiras russas em mais de 500 episódios de permanência lenta perto de cabos ou de acompanhamento de suas rotas. A análise cruzou os trajetos das embarcações com cartas náuticas que indicam a localização dos cabos.

Entre os exemplos, as embarcações somaram 337 horas perto do cabo Atlantic Crossing 1, ao norte da Escócia. Desse total, 322 horas foram registradas em abril de 2023. Uma embarcação teria passado perto de nove cabos ao longo de quatro anos. Em fevereiro de 2025, uma embarcação identificada como Ship B permaneceu 42 minutos perto do Hibernia Express, a menos de dois nós, durante uma das passagens relatadas.

A análise também cita Shefa-2, o desativado TAT-14, Amitié e Grace Hopper. Os registros descritos são de posição, velocidade e deslocamento em relação às rotas cartografadas.

Por que os cabos importam e quem é dono deles

O livro branco informa que 64 sistemas ativos de telecomunicações submarinas chegam ao Reino Unido: 45 internacionais e 19 domésticos. Segundo o governo britânico, esses cabos transportam 99% do tráfego internacional de dados do país.

A propriedade dos cabos varia. Empresas privadas de telecomunicações e tecnologia, companhias estatais e consórcios podem ser proprietários; um sistema pode ter um ou vários donos. O Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos descreve essa diversidade de estruturas de propriedade.

A consulta britânica, aberta em 22 de outubro de 2026, está prevista para terminar em 14 de janeiro de 2027. Depois de analisar as respostas, o governo pretende avançar com a legislação quando houver tempo parlamentar.